As recentes e graves revelações em Eunápolis, acerca da inexplicável e injustificada dispensa de licitação feita pela ex-prefeita Cordélia Torres nos contratos milionários de coleta de lixo, com direito inclusive a aditivos, totalizando uma quantia superior a R$ 50 milhões de reais, em transações realizadas casualmente com a empresa Limp City, envolvida na Operação Overclean, através do "Rei do Lixo", além de uma investigação policial e administrativa, com punições exemplares e severas aos envolvidos, merece sérias reflexões sobre a inércia do Ministério Público, do TCM e o estranho silêncio da imprensa e da Câmara de Vereadores em relação ao fato.
Quanto à Câmara e à imprensa, esses qualquer pessoa razoavelmente inteligente e esclarecida haverá de imaginar onde se encontravam durante estes últimos 4 e silenciosos ,anos e que foram, sem a menor sombra de dúvida, os mais tristes da história da cidade vizinha. Ao menos incompetência igual nunca se viu. Eunápolis só não faliu de vez graças ao esforço de um povo lutador.
Tal como acontece em Porto Seguro, em Eunápolis o sistema é bruto. E bota bruto nisso. Não tem santo na política. O tubarão devora quase tudo e deixa uns peixinhos menores para os vereadores e os donos de sites de aluguel não morrerem de fome. E eles, é claro, aceitam, e todos se satisfazem. O que vale mesmo são nomeações e dinheiro no bolso dos sanguessugas que orbitam ao redor do poder, entra prefeito, sai prefeito, verdadeiro párias da sociedade que são. Para que acordar cedo e dar duro na vida se a prefeitura e a Câmara existem justamente para saciar e financiar a vida dos preguiçosos e aproveitadores?
A ESTRANHA OMISSÃO E CONIVÊNCIA
Mas em relação ao TCM e ao MP, dois órgãos de fiscalização pagos com recursos do contribuinte justamente para evitar que prefeitos corruptos desviem recursos e enriqueçam frente à administração pública, qual a explicação, o que dizer? Será que ninguém viu nada, ninguém sabia de nada? Como justificar dispensas de licitação e contratos emergenciais por mais de 18 meses? Baseado em quê? Havia algum estado de necessidade ou de calamidade pública para tanto? Onde está a previsão legal de que prefeitos podem se valer deste tipo expediente para burlar a Lei de Licitações?
A pergunta que fica é: e quem vai pagar por esse estranho silêncio e conivência que tomou conta de Eunápolis nos últimos 4 anos?
Ah, e antes que digam que sou roberista, esclareço que os mesmos conceitos e reflexões valem para o prefeito Robério, cuja constante vigilância dos seus atos deve ser um dever de todos os eunapolitanos. Vale para Cordélia, vale para Robério.