Infelizmente, já virou moda generalizada em nossa região, com raríssimas e honrosas exceções. A prática virou até de domínio público. Ninguém mais faz um loteamento, constrói um condomínio, abre um posto de gasolina ou projeta um empreendimento de porte razoável se não pagar elevadas propinas aos prefeitos, cujas exigências chegam a ser entre 10 a 30% do valor investido no projeto. Isso sem o empresário deixar de pagar outras tantas “taxas” para terem seus projetos aprovados ou até mesmo para não receberem rigorosa fiscalização ou até mesmo a paralisação das suas atividades.
Já em relação às famosas e velhas licitações, gestores, cada vez mais escolados na arte de extorquir empresários, aprenderam que não é necessário direcioná-las ou fraudá-las para favorecer determinada empresa. Pelo contrário, basta deixar a empresa vencedora ganhar normalmente a disputa e depois chama-la para o tradicional acerto tetê à tetê. Se pagar “x”, a prefeitura homologa e honra o contrato, já, se não pagar, a prefeitura coloca um monte de defeitos, desclassifica a empresa e chama a segunda colocada. É exatamente assim que a banda toca.
Que ninguém se engane. Assim tem sido, assim é e pelo jeito continuará sendo pelos próximos anos. Acabou-se o tempo de cidadania, das ideologias, de amor ou preocupação pela cidade, ou de se tentar retribuir ao município tudo aquilo que eventualmente ele proporcionou a um candidato em sua vida privada. Esse belo e bonito discurso, para enganar o eleitor, só existe em tempos de campanha. Na prática, ser prefeito virou um grande e lucrativo negócio. Ser vice prefeito idem. Prefeitos também aprenderam que se deixar uma boa beirada para o seu vice, este jamais vai lhe denunciar ou lhe criar problemas. Mas tem que receber, é claro, ao menos uma generosa fatia do bolo.
Cadeia mesmo, nem pensar. Eventuais processos e ações judiciais são disputadas e festejadas pelos tradicionais lobistas em Salvador e Brasília, geralmente advogados, filhos de desembargadores e de ministros, que cobram milhões para livrar políticos das garras da justiça. Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão.